LiteraNerd #14 – O Senhor das Moscas
Quais são os limites entre a civilização e a barbárie?
Quem nunca se perguntou como ficaria a sociedade se ela fosse organizada por um bando de meninos perdidos em uma ilha?
…
Alguém?
Será que eu sou a única que fica pensando em caminhos alternativos que a sociedade tomaria se alguma coisinha no passado fosse diferente? Provavelmente não, ou De Volta para o Futuro, Efeito Borboleta e a mais recente série Continuum jamais teriam sido feitas. De qualquer forma, eu não penso muito nisso mesmo… Mas graças a Bob que tem gente que pensa.
O Senhor das Moscas é um clássico da literatura universal. Publicado em 1954, é o primeiro e mais famoso livro de William Golding, um escritor inglês agraciado com Prêmio Nobel em 1983.
Eu demorei pra caramba pra terminar de ler esse livro, não porque ele é extenso, difícil ou chato, mas sim porque estive em um período estrogonificamente, ornitorrincamente, exdruxulamente (e outros advérbios inventados) difícil período de provas em que eu considerei seriamente a possibilidade de largar tudo e viver nas montanhas caçando formigas. Mas quando esse período abençoado terminou voltei a ler o livro.
Por que estou falando isso, afinal de contas? Isso não interessa pra nerd nenhum, Sarah, quer ser expulsa?
Não, alter-ego, eu não quero. Só estou mencionando isso porque até o trecho em que parei antes das torturas chinesas provas, o livro estava relativamente calmo: a história se passa no período de uma das Guerras Mundiais, onde um avião com um grupo de meninos que estavam sendo evacuados é atingido, e eles caem em uma ilha deserta. Mas até aí tudo bem(?), os meninos se organizam em uma micro-sociedade para sobreviverem e enviarem sinais para serem resgatados. Tudo lindo e calmo.
Mas depois que eu retornei do mundo dos mortos desse período, percebi que O CAOS SE INSTALOU NA ILHA! ASSASSINATOS, MOTINS, SANGUE, BARBÁRIE, O HORROR!
Sério, tudo começa a desandar muito rápido. Golding nos fala sobre muitos assuntos nesse livro: selvageria x civilização, esperança,disciplina, psicologia de multidão (é sinceramente assustador imaginar um bando de meninos cantando Matem o porco! Cortem a garganta! Tirem o sangue! alegremente) mas principalmente como a nossa sociedade é frágil. Basta um simples porco pra acabar com tudo. Ou uma concha. Ou uma fogueira.
Golding também nos traz uma dúvida: o que é mais necessário a um líder: força, inteligência, carisma? Ele nos responde mostrando três personagens, cada um com uma dessas características: Jack (força), Ralph (carisma) e Porquinho (inteligência). Eles disputam o poder, que na maior parte do tempo é dado para quem tem a concha, símbolo do poder na ilha.
Não é à toa que esse livro virou um clássico universal, indispensável para qualquer nerd.

















