Quer ser um gênio? Basta não ser preguiçoso!

Alguns meros mortais quando encontram alguém que sabe muito sobre determinado assunto já o chamam de gênio, nerd, cdf,… Enfim, acham que aquele conhecimento veio de uma força do além, que o software já veio instalado de fábrica…
Dando uma olhada pelas revistas na banca, na parte de ciência e educação, me deparei com uma publicação que ainda não conhecia: a revista “Cálculo, matemática para todos”. Por curiosidade comprei para ver a abordagem do assunto e achei a revista genial. Na carta ao leitor da edição 19 – ano 2 – 2012, o editor Márcio Simões trata exatamente sobre este assunto. Transcrevo abaixo:
Um amigo me perguntou se eu tinha entendido “essa coisa toda de limites”. Eu disse que sim, e ele me olhou com admiração, como se eu fosse uma reencarnação de Albert Einstein. Esse olhar me incomoda. Meu amigo me contou que, na faculdade, não tinha entendido direito a idéia de limites e, como consequência, foi mal nos tópicos subsequentes – derivadas e integrais.
Usei uma analogia para ajudá-lo a rever sua história: qualquer pessoa consegue construir um muro, por maior que seja, se ela tem o tempo necessário para assentar um tijolo por vez. Sem prática, ela levará um tempão para assentar os primeiros tijolos, mas, à medida que os dias passam, assentará cada tijolo cada vez melhor e mais depressa. Em todo caso, para construir o muro, trabalhará com um único tijolo por vez. Num curso regular de cálculo, o problema é que o professor obriga o aluno a estudar coisas demais em apenas um ano. Então o aluno empilha os tijolos de qualquer jeito, e constrói um muro mambembe.
Não tem nada a ver com inteligência. Umas poucas pessoas compreendem bem um assunto complexo como o cálculo em poucos meses, mas a maioria precisa de mais tempo. Traduzindo: se uma pessoa comum sente vontade de conhecer o cálculo em detalhes, não tem escolha senão voltar aos livros e estudá-los de novo, desta vez mais devagar. James Stewart, o autor do livro que uso como referência, explica a idéia de limite em 66 páginas, e pede ao leitor que resolva 489 exercícios sobre limites. Um estudante comum consegue resolver um único exercício por vez, assim como consegue assentar um tijolo ou dar um passo ou subir um degrau. Depois dos 489 exercícios, contudo, ele dominará a matéria; para o leigo, parecerá dotado de habilidades sobrenaturais. É como se o leigo pensasse que aquele estudante construiu seu muro não um tijolo por vez, mas dizendo “abracadabra”.
Conforme eu me explicava, meu amigo balançava a cabeça para lá e para cá, do tipo “não, não, não”. Ele se irritou comigo; precisei até mudar de assunto. Deve achar mais confortável pensar que os outros, os que aprenderam, são gênios, e eles, que aprenderam, é uma pessoa como tantas outras. Com esse jeito gostoso de pensar, tiramos de nós a responsabilidade de estudar por nós mesmos, e não nos diminuímos, mas essa versão dos fatos é verdadeira quase nunca.
Fica aí a dica. Dá tempo para quem age assim mudar!
















