A marcha das vadias acabou, só falta o machismo!
Foto por: Tulio Vianna
A Marcha das Vadias aconteceu nesse fim de semana, e alcançou seu grande objetivo: chamar a atenção para as grandes atrocidades (uso essa palavra porque é um absurdo que em pleno século XXI ocorram preconceitos dignos de uma época em que nem sonhávamos em nascer) que acontecem com as mulheres pelo simples fato de serem consideradas “o sexo frágil”. Centenas de cartazes com verdades – muitas vezes inconvenientes -, centenas de verdades pintadas nos corpos de quem marchava consciente da proposta e mensagem da manifestação. Ao longo das semanas que antecederam a marcha, recebi vários comentários do tipo “Nojo da sua laia”. Curiosamente, vindo de homens que adoram se passar por super pegadores de super models. Não entra na minha cabeça o fato de alguém que se gaba tanto por entender tanto de mulher ofendê-las de modo geral, seja fisicamente ou pela forma que se comportam. Como se apenas algumas fossem merecedoras de respeito, como se a individualidade (aquela característica que torna cada pessoa única e encantadora) não tivesse valor. Como se padrões fossem interessantes. Enganam-se por achar que assim conseguem algum respeito. É questão de reciprocidade. Eu como mulher, ser humano, respeito quem me respeita. E quem não me respeita pelo meu gênero não merece crédito algum, exatamente por ter uma mente tão pequena para fazer esse tipo de julgamento. E homens que respeitam as mulheres possuem um charme inigualável!
Mas também ouvi que a marcha é um movimento inútil e que não faria diferença. Se não fizesse diferença, a pessoa nem se daria ao trabalho de criticar. Logo, a manifestação fez sim alguma diferença. A marcha acabou, mas o machismo não.
Muitas críticas choveram: “que motivo inútil pelo qual elas estão protestando. As mulheres que protestavam por algo realmente útil e relevante como votar e dirigir devem estar revirando na cova”. Só que essas mesmas pessoas não param para pensar que na época em que elas lutavam por esses direitos, para o pessoal da época relevante era lavar, passar, cozinhar, cuidar dos filhos e maridos. Só. Cada época tem sua resistência à algo, e sempre vai haver aquele bolinho de gente se reunindo para chamar a atenção sobre algo que não está ok. A Marcha está aí para isso!
Quem sempre está pronto para criticar, não consegue ao menos argumentar direito. Quem usa de palavras como “sapatão” para ofender uma mulher, não entende que a opção sexual dos outros não é uma ofensa. E por mais que o alvo seja uma hetero convicta, se ela tem algum senso crítico, vai no máximo achar graça pela falta de coerência do autor do “xingamento”. E quem usa aspas para falar: esse tipo de “mulher”, devia repensar seriamente seus conceitos.
Não tenho vergonha de explicar para a minha filha que aquela moça ali que atravessa a rua usa roupa curta porque o corpo é dela e ela escolhe a maneira de se vestir. Tenho vergonha de ter que explicar para eles que existem pessoas intolerantes e que julgam alguém só por olhar para suas roupas.
Não vejo muita evolução numa sociedade recheada de Iphones, tablets, Ipads e mil tecnologias, se não respeita a individualidade de pessoas na sociedade. Se não é respeitado o direito de se vestir, se portar, de se relacionar, de se argumentar, de ser (!) e opinar, não vejo motivo para entitular esse mundo como moderno ou avançado.
A quem repudia o feminismo, só deixo claro uma coisa: ele só nasceu porque o machismo AINDA não morreu. Meu mundo ideal seria sem nenhum dos dois. Em que pessoas não julgassem ou ferissem a outra pelo simples fato de serem de sexos diferentes. Mas como esse mundo ideal não existe, bora fazer barulho, manifestações e gritar! Gritar para que todas as mulheres se sintam à vontade para ser, ter e dar!
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Myriamsm
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