A marcha das vadias acabou, só falta o machismo!


Ju Umbelino

Ju Umbelino

A Ju finge que escreve, começou no Addict Girls. É também maníaca por séries e rock’n'roll, apaixonada por jazz e blues de tabela. Gastronomia, desenho, música e quadrinhos são alguns dos seus (muitos) hobbies.É a MILF do nerdicepontocom que leva a filha pra zombie walk.

Foto por: Tulio Vianna

A Marcha das Vadias aconteceu nesse fim de semana, e alcançou seu grande objetivo: chamar a atenção para as grandes atrocidades (uso essa palavra porque é um absurdo que em pleno século XXI ocorram preconceitos dignos de uma época em que nem sonhávamos em nascer) que acontecem com as mulheres pelo simples fato de serem consideradas “o sexo frágil”. Centenas de cartazes com verdades – muitas vezes inconvenientes -, centenas de verdades pintadas nos corpos de quem marchava consciente da proposta e mensagem da manifestação. Ao longo das semanas que antecederam a marcha, recebi vários comentários do tipo “Nojo da sua laia”. Curiosamente, vindo de homens que adoram se passar por super pegadores de super models. Não entra na minha cabeça o fato de alguém que se gaba tanto por entender tanto de mulher ofendê-las de modo geral, seja fisicamente ou pela forma que se comportam. Como se apenas algumas fossem merecedoras de respeito, como se a individualidade (aquela característica que torna cada pessoa única e encantadora) não tivesse valor. Como se padrões fossem interessantes. Enganam-se por achar que assim conseguem algum respeito. É questão de reciprocidade. Eu como mulher, ser humano, respeito quem me respeita. E quem não me respeita pelo meu gênero não merece crédito algum, exatamente por ter uma mente tão pequena para fazer esse tipo de julgamento. E homens que respeitam as mulheres possuem um charme inigualável!

Mas também ouvi que a marcha é um movimento inútil e que não faria diferença. Se não fizesse diferença, a pessoa nem se daria ao trabalho de criticar. Logo, a manifestação fez sim alguma diferença. A marcha acabou, mas o machismo não.

Muitas críticas choveram: “que motivo inútil pelo qual elas estão protestando. As mulheres que protestavam por algo realmente útil e relevante como votar e dirigir devem estar revirando na cova”.  Só que essas mesmas pessoas não param para pensar que na época em que elas lutavam por esses direitos, para o pessoal da época relevante era lavar, passar, cozinhar, cuidar dos filhos e maridos. Só. Cada época tem sua resistência à algo, e sempre vai haver aquele bolinho de gente se reunindo para chamar a atenção sobre algo que não está ok. A Marcha está aí para isso!

Quem sempre está pronto para criticar, não consegue ao menos argumentar direito. Quem usa de palavras como “sapatão” para ofender uma mulher, não entende que a opção sexual dos outros não é uma ofensa. E por mais que o alvo seja uma hetero convicta, se ela tem algum senso crítico, vai no máximo achar graça pela falta de coerência do autor do “xingamento”. E quem usa aspas para falar: esse tipo de “mulher”, devia repensar seriamente seus conceitos.

Não tenho vergonha de explicar para a minha filha que aquela moça ali que atravessa a rua usa roupa curta porque o corpo é dela e ela escolhe a maneira de se vestir. Tenho vergonha de ter que explicar para eles que existem pessoas intolerantes e que julgam alguém só por olhar para suas roupas.

Não vejo muita evolução numa sociedade recheada de Iphones, tablets, Ipads e mil tecnologias, se não respeita a individualidade de pessoas na sociedade. Se não é respeitado o direito de se vestir, se portar, de se relacionar, de se argumentar, de ser (!) e opinar, não vejo motivo para entitular esse mundo como moderno ou avançado.

A quem repudia o feminismo, só deixo claro uma coisa: ele só nasceu porque o machismo AINDA não morreu. Meu mundo ideal seria sem nenhum dos dois. Em que pessoas não julgassem ou ferissem a outra pelo simples fato de serem de sexos diferentes. Mas como esse mundo ideal não existe, bora fazer barulho, manifestações e gritar! Gritar para que todas as mulheres se sintam à vontade para ser, ter e dar!

  • Myriamsm

    ë isso aí: o feminismo está cada vez mais orte, porque o machismo nao ta com cara de acabar … mas é verdade que machao esta com os dias contatos!

    • http://www.facebook.com/umbelinojuliana Juliana Umbelino

      Sim! Porque já está mais que ultrapassado esse conceito machista. Só quem está láááá atrás pensa e sustenta essas opiniões retrógradas!

  • http://www.facebook.com/alysson.vieiralima Alysson Vieira Lima

    Então em vez de acabar com o machismo vc prefere msm que o feminismo seja instituído? Quando soube da marcha pensei que fosse algo realmente um protesto contra o estupro etc. Mas o que aconteceu msm não foi isso. O que vi foi desrespeito em relação a religião, xingamentos e afrontas a quem se opõe ao movimento. Essa militância feminina quer exigir que a sociedade não julgue por seus atos, o que é plenamente impossível  já qualquer pessoa é julgada pelo que faz independente de gênero ou orientação sexual. Em vez de lutarem pelos direitos da mulheres, o que  a Marcha das Vadias fez, sobretudo aqui no Rio de Janeiro foi exigir respeito desrepeitando. Sou contrário ao feminismo e ao machismo, acho pouco inteligente destruir uma maneira de pensar prejudicial a sociedade com outra tão ruim quanto ela. A vida humana não consiste numa disputa Homens X Mulheres!

    • http://www.facebook.com/umbelinojuliana Juliana Umbelino

      Eu prefiro que não exista nenhum dos dois. Disse acima que o feminismo só existe pq o machismo não acabou. Entende?
      Eu ouvi, presenciei e fui mais alvo de desrespeito pelo simples fato de ser mulher do que vi na marcha. Eu concordo com ela no sentido de fazer alarde e gerar discussões.
      Eu detesto essa disputa tosca de homens x mulheres. Não fui à marcha, mas admiro a coragem de quem defende ideais e argumentos protestando. Principalmente porque eu mesma sofri inúmeras formas de violência e sei o quanto isso poderia ter sido diferente se os homens fossem educados de outra forma.

      • http://www.facebook.com/alysson.vieiralima Alysson Vieira Lima

        Concordo que a educação dos homens tem que mudar. Só penso que ninguém em sã consciência ensina seu filho que ele pode estuprar uma mulher que está tudo bem. Um estuprador é uma pessoa doente psicológicamente, o machismo é o menor dos problemas dele. O curioso é que numa marcha contra o estupro ofenderam quem não prática isso! Que bom que vc não concorda com essa guerra entre gêneros.O que acho ruim na nossa sociedade é que algumas mulheres da minha geração tem comprado essa ideia de que todo homem é machista e opressor etc e esse tipo de evento, na minha visão, tem contribuído mais pra isso do que para o combate ao machismo!